Ação: 8) A última das auto-ilusões – A imortalidade

Resumo sobre o livro: Ação – Nada acontece até que algo se mova.

ação

Parte do Capítulo 2 – A ação e a verdade

A mais perigosa das auto-ilusões é a crença que as pessoas parecem ter em sua própria imortalidade. Embora elas não admitam isso para os outros, e talvez nem pensem nisso racionalmente, instintivamente parece que elas acreditam que serão os primeiros seres humanos a viver para sempre.

Uma das maiores evidências sobre essa forma distorcida de pensar é a facilidade que as pessoas têm de se auto-sabotar, sacrificando sua saúde ou integridade física para o decorrer de suas vidas em troca de um prazer momentâneo. De outro modo, porque as pessoas dirigiriam embriagadas, usariam drogas, sacrificariam suas refeições para passar mais tempo no escritório, fumariam, etc?

A impressão que fica evidente é que aquela conta que você vai fazendo à longo prazo com sua saúde em troca de um prazer momentâneo nunca será paga.
Mas ela será.

A história à seguir é contada pelo autor, com relação à irmã dele:

“Com relação aos cigarros, por mais de trinta anos minha irmã mais velha ficou brava com qualquer um na família que lhe pedisse para parar de fumar. Apesar de ser uma pessoa inteligente e bem formada que, é claro, estava ciente dos problemas relacionados ao fumo, ela dizia simplesmente que gostava. Lamentavelmente, no dia em que o médico entregou à minha irmã sua sentença de morte – um diagnóstico de câncer no pulmão inoperável, ela imediatamente parou de fumar. E passou o resto de seus dias com raiva de si mesma por ter sido “tão idiota”. É claro que ela não sentiu falta do prazer que tinha com o cigarro. Se você já teve contato com alguém que está morrendo de câncer, sabe que a cena é cruel, é algo que você nunca irá esquecer. Uma cena que certamente fará você pensar muito em relação à sua imortalidade.”

É a auto-ilusão de que você pode escapar das conseqüências inevitáveis de suas ações, simplesmente por elas não serem imediatas à sua ação, que faz com que uma pessoa ignore essas conseqüências em seu âmbito emocional, embora estejam bem cientes dessas conseqüências no seu âmbito racional.

É por isso que a maior parte das pessoas diz “estou tão arrependido” quando se descobre vítima de uma dessas conseqüências, por exemplo, se envolver em um acidente após dirigir embriagado, ou ser diagnosticado com câncer, como a irmã do autor, por fumar compulsivamente. Dificilmente alguém diz “eu assumi os riscos, e aproveitei, então era isso mesmo que eu queria para mim”.

Por fim, gostaria de lembrar uma vez que eu vi no noticiário uma mulher que estava no parapeito de um prédio, ameaçando saltar e se suicidar. Tentando impedi-la estavam diversas pessoas da polícia e dos bombeiros, que conversavam com ela e tentavam faze-la desistir, mas ela era irredutível. Então, em um determinado momento, um bombeiro correu em direção a ela e segurou suas pernas para trazê-la para dentro do prédio, só que ela, num impulso, saltou para fora do prédio. Quando parecia que a mulher ia cair, o bombeiro então esticou sua mão direita e segurou a mulher pelo vestido. A mulher então disse ao bombeiro “não me solte!”, mas já era tarde. O vestido se partiu.

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