11) Ação: A ação baseada na virtude
Resumo sobre o livro: Ação – Nada acontece até que algo se mova.
Parte do Capítulo 4 – A ação baseada na virtude
A realização nos negócios, no amor, na amizade, no dinheiro, ou em qualquer outra área da vida não antecede o crescimento pessoal. Ela vem logo à seguir. É muito importante não tentar reverter a ordem desse princípio.
Esse crescimento pessoal é o que pode ser chamado da sua “infra-estrutura” pessoal, e ela é construída com cada um dos blocos do crescimento pessoal. Esses blocos são as virtudes.
Nesse artigo, nós olharemos resumidamente algumas das virtudes que devem ser desenvolvidas no seu crescimento pessoal, para que você esteja pronto para colher os frutos plantados através de suas ações.
Cortesia
A cortesia é a qualificação através da qual você trata as outras pessoas. Uma pessoa cortês é aquela que trata a outra pessoa de forma agradável.
Lembrando que a forma como você age é definida como agradável ou não pela outra pessoa, e não por você. Portanto, e isso é muito importante, é preciso ter empatia.
A empatia é a sua habilidade em enxergar as coisas através dos olhos (e pensamentos) das outras pessoas. Portanto, agir de forma agradável ou de forma grosseira é indiferente, se você não tiver empatia suficiente para perceber se está sendo agradável ou não. O importante não é como você se sente, e sim como a outra pessoa se sente com o seu tratamento.
Por isso, formas de cortesia às vezes podem bater de frente com a sua identidade. Talvez na sua cidade as pessoas se cumprimentem com um beijo no rosto, mas na cidade da outra pessoa o cumprimento é feito com dois beijos. Talvez você não ache que abrir a porta para a outra pessoa é um gesto cavalheiro, mas a outra pessoa ficaria lisonjeada. Talvez você ache que agarrar o braço da pessoa deficiente visual seja um meio de mostrar cortesia, mas ela fique ofendida.
Com o tempo, você verá que a cortesia fluirá de seus atos com naturalidade, e logo fará parte do seu caráter.
Dignidade
A cortesia é a forma como você trata as outras pessoas. A dignidade é a forma como você trata a si mesmo.
A dignidade não pode ser imposta à uma outra pessoa, nem exigida por outras pessoas. Você pode até tentar exigir que uma pessoa “finja” reconhecer dignidade em você, mas essa falsa dignidade só cultivará o ódio e o ressentimento.
Você não tem o direito de ser tratado com dignidade. Você tem o direito de possuir dignidade. Exigir dignidade dos outros é a mais uma forma de auto-ilusão. Se ser tratado com dignidade é muito importante para você, a melhor forma de fazê-lo é agindo de maneira digna.
E nunca se utilize da desculpa esfarrapada como “todo mundo está fazendo isso” para racionalizar ou justificar ações indignas. As pessoas dignas não se importam com o que os outros estão fazendo para qualificar a própria dignidade, porque a dignidade está relacionada a você, e não à sociedade.
Honestidade
A honestidade consiste em não fazer aquilo que você sabe que está errado. O conceito do que “está errado” não transcende o seu conhecimento, portanto você não culpa um ignorante de “desonesto” embora ele prejudique alguém da mesma forma que uma pessoa desonesta. A pessoa desonesta, por definição, sabe que faz algo errado, mas o faz mesmo assim.
Da mesma forma que a dignidade, a honestidade não é um valor social, mas individual. Portanto, cabe à própria pessoa o julgamento de que uma determinada ação é errada e, portanto, não executar aquela ação ou impedir que alguém a execute.
Outra fator que precisa ser reforçado é que o período da escravidão já acabou. Portanto, “ninguém nos força, ninguém decide por nós, ninguém nos arrasta por um caminho ou outro; nós mesmos, por nossa vontade, escolhemos o nosso caminho”. É muito fácil justificar uma ação errada como “tive que fazê-lo” antes de verificar que diversas outras pessoas, de caráter muito maior, optaram por não fazer aquela ação errada em situação semelhante ou pior.
A honestidade deve aflorar, principalmente, nos momentos em que ninguém lhe observa. A pessoa honesta não precisa de vigília para não derrapar na ladeira da desonestidade. Apenas as pessoas que são inerentemente desonestas precisam ser vigiadas o tempo todo para que não cometam um ato de desonestidade.
Da mesma forma, a honestidade deve ser seguida com o espírito, com a intenção de fazer a coisa que sabe-se que é certa, e não com a intenção de evitar as conseqüências para si de ser autuado como autor de um ato desonesto. Aquele que não comete um ato desonesto apenas para não ser flagrado ou acusado é tão desonesto quanto aquele que precisa de vigília para não cometer um ato de desonestidade.
E a omissão é tão desonesta quanto à mentira. Se uma pessoa segue um caminho de honestidade e retidão, ela não tem medo de expor detalhes de seus atos.
Integridade
A integridade seja a ser quase um sinônimo de honestidade, mas não é isso. Enquanto a honestidade diz respeito ao certo e errado, à mentira e a verdade, a integridade é a lealdade à um código de valores morais. Por isso, talvez seja mais como sinônimo de “consistência”.
Para ter integridade, a primeira coisa que você precisa definir é o que é moral e o que é imoral. Nem tudo que é permitido por lei, portanto legal, pode ser moral ao ver de uma pessoa. Algumas pessoas também podem ter um código de moralidade que define como moral algo ilegal. A integridade não consiste portanto em estarem “certos ou errados” os valores que uma pessoa segue, mas sim a maneira pela qual a pessoa segue esses valores.
Uma maneira interessante de se olhar a integridade é o conceito de “morrer pela honra” dos japoneses, principalmente em seu período feudal. Eles possuem conceitos de o que é “honroso” e “desonroso”, e esses conceitos são subjetivos. Outras culturas podem concordar e discordar do que eles acham. No entanto, o homem era considerado “íntegro” ou não se era capaz de viver, e morrer, por esses valores. Isso é integridade.
Portanto, enquanto os valores morais são aqueles valores nos quais uma pessoa acredita, a sua integridade é a capacidade da pessoa de agir de acordo com os valores nos quais acredita.
Humildade
A humildade é a capacidade de uma pessoa de valorizar tudo aquilo que faz parte de sua vida como algo passageiro, e de compreender que seu preparo em todos os aspectos da vida nunca é pleno.
Muitas das aflições da humildade acontecem quando uma pessoa cria a ilusão de que é indispensável. A história foi encarregada de mostrar que nada é indispensável a ponto de não poder ser substituído por algo semelhante, senão melhor.
A maneira mais simples de perceber onde você pode melhorar sua humildade é olhando os pontos onde você tem arrogância. A arrogância é o sentimento de que você é pleno em algum aspecto. Como eu disse, ter humildade não é só crer, mas compreender, que o seu preparo nunca é pleno. Existe uma grande diferença entre crer e compreender.
Com a compreensão de que seu preparo nunca é pleno, fica fácil você assumir que está errado quando errar, e corrigir seus rumos antes que seja tarde.
Benevolência
A benevolência consiste em “fazer o bem”. Isso deve estar presente em todas as esferas da vida. Como fazer o bem aos seus pais mesmo quando eles não mostrarem que estão precisando de abrigo. Como chutar a bola para a lateral quando seu adversário está caído no chão para que ele possa ser atendido. Ajudar um desconhecido, ou conhecido, não para receber algo em troca, mas para modificar positivamente a vida de uma pessoa.
A benevolência consiste em ajudar pelo prazer de ver alguém melhor. É aquele sentimento que você tem quando você faz carinho no seu cachorrinho. Você o faz para o cachorrinho receber o carinho. A finalidade da ação é fazer bem a ele, e isso, por conseqüência faz bem a você.
Apenas as pessoas benevolentes sentem-se bem em fazer o bem a alguém sem receber nada em troca. Se você não se sente assim, ainda precisa melhorar sua benevolência.
Diplomacia
A diplomacia consiste no esforço para apagar palavras e frases negativas e abrasivas de seu vocabulário.
Quando você remove essas palavras de seu vocabulário, você diminui o atrito da comunicação e até mesmo o nível de agressividade com outras pessoas. Isso, por sua vez, aumenta a facilidade da comunicação e o clima de amizade entre os interlocutores.
Veja algumas frases que você pode substituir:
Em vez de “Vocês está errado”, diga “Você pode estar certo. Vamos ver os fatos mais uma vez”
Em vez de “Isso é mentira”, diga “Isso pode ser verdade, mas ouça o que tenho à dizer”
Em vez de “Há um problema a ser resolvido”, diga “Há uma questão a ser resolvida”.
Essas pequenas alterações não devem ser menosprezadas como simples diferenças semânticas. Elas são diferenças de “atitude”. Da mesma forma que uma pessoa diz “Com licença, Você teria um minuto para me atender?” em vez de “Escuta aqui, p*@&!!”, a escolha de cada uma das palavras que usamos representam para a pessoa que nos escuta o nível de amizade ou agressividade que temos com relação à ela. A mesma coisa que diferencia uma pessoa grosseira de uma pessoa normal, diferencia a pessoa normal da pessoa diplomática.

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