13) Ação: Perigo da Vitimização

Resumo sobre o livro: Ação – Nada acontece até que algo se mova.

ação

Parte do Capítulo 4 – A ação baseada na virtude

Você certamente já conheceu alguém que parecia ser vítima do mundo. A pessoa fica se lamuriando, externalizando culpas que talvez, ao seu ver, fossem dela mesma. Se você quiser levar uma vida significativa, precisa primeiro evitar a armadilha da vitimização.

Existem dois problemas maiores com a vitimização. O primeiro é que, se a pessoa culpa outra pessoa por algo que ela é a responsável, significa que ela, no fundo, tem a crença de que algum ganho sem trabalho é possível, o problema do “Algo por Nada”. O segundo problema é que esse algo será retirado de alguém que, de forma justa, conquistou esse algo em primeiro lugar.

O jogo da vitimização começa com o desejo da pessoa. Esse desejo que ela tem, internamente, está convertido nas crenças da pessoa, como “verdade”. Portanto, a vitimização tem princípio em um estado de auto-ilusão, em que a pessoa tenta transformar em verdade esse seu desejo pessoal.

No entanto, para que esse estado de vitimização se concretize, o “desejo” da pessoa é então convertido em “necessidade”. O desejo é um sentimento pessoal. Se eu desejo um vídeo-game, você nada tem a ver com isso. E eu não tenho nada a ver com o que as outras pessoas desejam também, contanto que elas não interfiram na minha liberdade. Já a necessidade é uma definição subjetiva de um desejo que, se não atendido, fará com que a pessoa sofra, talvez até morrer. Como o sofrimento é algo pessoal, cabe apenas à pessoa transformar seu “desejo” em “necessidade”. Esse é o primeiro passo.

O segundo passo da pessoa que se faz de vítima é converter aquela sua “necessidade” em “direito”. Assim, ela passa para uma outra pessoa, empresa ou governo, a responsabilidade por isentá-la da dor de não ter suas necessidades atendidas. Afinal, é muito mais difícil você convencer alguém que outra pessoa é responsável por satisfazer seus desejos. Mais fácil é, no entanto, convence-los de que são responsáveis por satisfazer suas necessidades. Principalmente se eles tiverem a condição de fazê-los.

Assim, a vítima converte, na possibilidade de um outro em ajudá-la, o “direito” de ser ajudada. E também em vítima por não ter seus direitos respeitados (em vez de não ter seus desejos atendidos).

E é aqui que recai o segundo problema: Para atender aos desejos de alguém, convertidos em direitos, os direitos de alguém precisam ser violados. A pessoa cujos desejos estão sendo satisfeitos está forçando alguém a praticar o “algo por nada” à favor dela, e esse algo precisa vir de algum lugar. Portanto, do outro lado do espectro, alguém está praticando o “nada por algo” e tendo, esse sim, seus direitos desrespeitados.

O pior de tudo é que a vitimização, como expressão do “algo por nada”, mata nas pessoas o desejo de agir para satisfazer seus desejos. Convertidos todos eles em direitos, agora ela apenas espera, impassível, enquanto eles são atendidos. A vitimização, portanto, mata a alma daquele da ação.

Felizmente, você não precisa contar com a transformação de seus “desejos” em “direitos” para conseguir o que quer. Quanto mais distante você se manter dessa maneira de pensar, mais energia terão as suas ações, e mais disposto você estará em pessoalmente ir em busca da satisfação dos seus desejos. Além disso, como bônus, quando você alcançar uma realização por seus próprios méritos, isso lhe dará uma sensação de realização e aumentará sua auto-estima. O que lhe ajudará a agir ainda mais em busca de seus objetivos.

2 comentários até agora

  1. Eduardo on

    Ótimo…faz sentido mesmo, conheço várias pessoas que tem vitimização…

  2. MARCELO MARGON on

    Sou oficial da Polícia Militar e sou obrigado a concordar com tudo que está no texto acima. São muitos os profissionais que vivem a reclamar e nada fazem.


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