Como fazer o que você ama

O Brian Kim é um autor de blog de auto-desenvolvimento que eu sempre acompanho.
Um dos posts que ele criou que mais me marcou foi o “Como encontrar o que você ama fazer”.
Mas de que serve saber o que você ama, se você não faz o que ama?
A tese dele é que 1) A maior parte das pessoas não faz aquilo que ama porque não sabe o que ama e 2) essas pessoas tem medo de fazer o que amam, afinal elas tem um estilo de vida para bancar, contas para pagar, crianças, etc..
A minha tese é a de que as pessoas tem muito menos problemas com o primeiro motivo, e muito mais com o segundo.
Perto do final do post, quando ele delineia o método de como encontrar o que as pessoas amam fazer, ele faz a pergunta:
“O que eu adoraria fazer diariamente, utilizando minhas habilidades e interesses, que vai adicionar um valor significate para as pessoas?”
E segundo ele, assim que você responder a essa pergunta, você estará pronto para viver uma vida plena, fazendo o que você ama pelo resto da sua vida.
Afinal, quem ama o seu trabalho, nunca terá que trabalhar, certo?

… não é tão simples assim.
A minha tese é de que, por mais que você ame fazer várias coisas, e se interesse por várias coisas, a sua resposta para a pergunta do Brian Kim é “Nada”. Elas refletem sobre a questão, e chegam a conclusão: “Eu não posso fazer nada diariamente que esteja atrelado aos meus interesses e habilidades e que agregue um valor significativo às pessoas melhor do que o que eu estou fazendo agora”.
O motivo para isso é simples: “As pessoas ganham dinheiro para fazer aquilo que os outros amam, não para fazer aquilo que elas amam.”
Isso mesmo. O dinheiro é a representação do valor “social” e não do valor “pessoal”.
Pode ser que você ame fazer algo que diversas pessoas também amem que você faça, como cantar música sertaneja, jogar futebol como um astro, ou criar o iPhone.
Mas pode ser que você ame fazer algo que ninguém ame que você faça, como sair para brincar com seu filho, escalar, namorar, ou treinar Kung Fu.
Se você tiver que adaptar o que você ama ao que os outros amam, você já não estará fazendo aquilo que você ama…

Mas então, qual é a solução?? Como fazer o que eu amo, realmente?
Só existe uma maneira: Você deve acumular, de uma só vez, todo o valor social que você usará pelo resto da sua vida.
Se você assumir que valor social = dinheiro, então isso significa que você precisa acumular todo o dinheiro que você usará pelo resto da sua vida.
Uma vez que você tiver todo esse dinheiro à sua disposição, você não precisará amar fazer algo que os outros também amem. Nem precisará adaptar aquilo que você ama ao gosto do que a outra pessoa ama.
Se o que você ama é ir para o interior, e ficar na beira do lago arremessando pedras na água e ouvindo os pássaros, faça isso.
É bem provável que ninguém queira te pagar 1 centavo sequer para você ficar fazendo isso. Mas você não precisará adaptar mais o que você ama para o gosto do que as outras pessoas amam.
E pense bem no que você ama fazer. Afinal, nem todas as pessoas que dizem que fazem o que amam realmente amam 100% da experiência.
O Kasparov disse no seu livro que “Eu amo 80% do xadrez. Os outros 20% eu tolero para manter a minha paixão”.
O Ronaldinho também ama jogar futebol. Mas talvez ele não ame fazer aqueles treinamentos, ter que chegar cedo no treino todos os dias, não poder dormir até tarde, não poder ficar perto da filhinha dele, não poder faltar em um jogo no meio da semana, etc.
Outra implicação disso é que toda vez que seu custo de vida aumenta, a distância para você fazer o que você ama também aumenta.
Isso se deve ao fato de que, quando seu custo de vida aumenta, fica mais difícil você acumular todo o dinheiro que você vai usar pelo resto da sua vida.
Portanto, se um dia você se perguntar: “Eu estou fazendo o que eu amo?” e responder “não”, pergunte-se se você já acumulou todo o dinheiro que você usará pelo resto da sua vida. Se a resposta for “não” também, provavelmente não há nada de errado nisso.

3 comentários até agora
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[...] Então não percam, na minha lifebox, o novo artigo: Como fazer o que você ama. [...]
Toledo,
Só lembrando que a pergunta é: “O que eu adoraria fazer diariamente, utilizando minhas habilidades e interesses, QUE VAI ADICIONAR VALOR SIGNIFICANTE PARA AS PESSOAS?”.
É por isso que vc não pode ficar jogando pedra no lago o dia todo… Pq ninguém se importa com isso.
E mesmo que isso lhe satisfaça, ainda haveriam os pernilongos e formigas…
Eu acho que a chave é essa: Achar algo que vc goste de fazer e que as pessoas gostem que vc faça. Mesmo que para isso vc tenha que tolerar alguns pernilongos e formigas.
Assim vc também não precisa ficar angustiado em conseguir todo o valor social já, pois se sentirá “no caminho”.
Ou não?
Exatamente!
Mas minha tese é a de que:
1) O que elas estão fazendo agora já é a melhor coisa que agrega valor para as pessoas que elas conseguem fazer com suas habilidades e interesses
ou
2) Elas precisam adaptar o que elas REALMENTE amam fazer para que isso agregue valor para as pessoas.
Pense por exemplo nas coisas que você passa o dia fazendo? Você está fazendo extamente o que você ama, ou está adaptando o que você ama para poder fazer o que os outros amam?
Quando você muda o que você ama para fazer o que os outros amam, você já não está fazendo o que você ama.
Certo?