Gastar tempo com aprimoramento é difícil!

Eu já mencionei outras vezes que, antes de começar a acompanhar detalhadamente o meu tempo, eu pensava que passava o tempo inteiro trabalhando e nunca tinha tempo para diversão (como a maior parte das pessoas pensa!). Quando comecei a acompanhar meu tempo detalhadamente, descobri que na verdade eu gastava meu tempo me divertindo e trabalhando: o que eu não fazia era gastar tempo me aprimorando!

Minha divisão em uma semana de 168h consistia mais ou menos:

  • 55h de trabalho
  • 40h de diversão
  • 5h de aprimoramento
  • 68h inúteis

Eu fiquei boquiaberto com esse número: 5 horas apenas! Isso era a soma de todo o tempo que eu gastava me exercitando, estudando programação, línguas, piano, lendo livros, etc. Certamente parecia muito mais do que 5h por dia!

Pois agora já faz quase 2 meses que eu acompanho como eu gasto meu tempo novamente. Embora eu ainda não tenha especificado objetivos para alcançar na divisão acima, estou gastando meu tempo conscientemente. Minha divisão na semana passada foi assim:

  • 37.75h de trabalho
  • 20h de diversão
  • 21.25 de doação
  • 10.25 de treinamento
  • 79h inúteis

A única novidade é, realmente, a nova categoria: doação. Eu realmente não pensei nela muito bem e não sei o que fazer, mas queria uma categoria para atividades que não são trabalho, mas as quais você faz por outras pessoas. É claro que ela varia desde ir visitar um amigo no hospital à fazer trabalho voluntário, à fazer aquela ligação para a sua vó que você estava devendo. É uma idéia relativamente nova e ainda não estou muito satisfeito com essa categoria, mas realmente sei que essas atividades não se encaixam nas outras 4 categorias.

O que não é novidade é que meu tempo com treinamento continua extremamente baixo! 10 horas apenas! Mas elas se parecem com 30 no decorrer da semana.

Resolvi fazer a conta da semana anterior para comparação. Foi uma semana em que houve um feriado e fiquei dois dias de cama doente, então o trabalho diminuiu e o tempo inútil aumentou. De qualquer forma:

  • 23h de trabalho
  • 21h de diversão
  • 10h de treinamento
  • 7h de doação
  • 107h inúteis

O tempo de treinamento permaneceu praticamente inalterado! Alarmado com o resultado, resolvi olhar as outras semanas para comparação:

  • wk17: 15h
  • wk16: 20h
  • wk 15: 27.5h
  • wk14: 20.75h

Wtf!? Eu estava tendo semanas extremamente produtivas, com um ápice de 27.5h! O que mudou?

  • Meu trabalho na minha aplicação de tarefas, bushi2do, mudou de ~8h por semana para ~1h assim que ela passou a me atender em minhas necessidades
  • Passei todas as semanas não produtivas sem postar no meu blog
  • Passei a faltar mais no Aikido nas últimas semanas (na semana passada, eu parei de ir ao Aikido)

O tempo desalocado do treinamento nas semanas anteriores foi basicamente alocado à diversão e à inutilidades.

Nessa semana, vou ajustar meu budget para tentar alcançar o patamar de ~20h novamente. Acho que ter feito esse acompanhamento me deu um susto, e mostrou o que precisa ser melhorado.

Recomendo que você faça uma avaliação similar do seu tempo. Espero que ele esteja sendo gasto tanto em aprimoramento quanto você deseja que ele seja gasto, mas minhas suspeitas é de que o tempo real é menor do que você imagina, assim como aconteceu comigo.

Separando diversão, estudo e trabalho

work-home

A separação de diversão, estudo e trabalho tem se tornado um tema cada vez mais recorrente recenemente. Eu já refleti muito sobre esse tema e tenho muito para falar à respeito, e acho que aqui é o melhor lugar para isso.

Prepare-se para um artigo longo, e leia-o com tempo.

Dividindo a vida em três partes

A minha teoria é a da divisão da vida em três partes. Mais do que isso, a divisão da vida em três partes iguais: diversão, estudo e trabalho. Na verdade, a teoria não é minha, mas eu a desenvolvi a partir do que li de diversos autores, e essa é a forma como eu procuro guiar a minha própria vida:

  • Trabalho – Tudo aquilo que você realiza que gera resultados externos. Normalmente, esse é o nosso “emprego”, onde exercemos nossa profissão: Criamos ou executamos algo em troca de dinheiro. Trabalho feito por caridade, trabalho em projetos open source e projetos pessoais, ajudar na pintura da parede da casa, também são trabalhos.
  • Estudo – Eu categorizo como estudo tudo aquilo que gera resultados internos. Resultados internos para mim são aqueles que geram resultados intrínsecos à nós, e que normalmente melhoram de alguma forma nossos trabalhos no futuro. Englobam tanto a leitura de um livro, como a prática de uma música no piano, a realização de alguns testes com uma linguagem de programação nova, ou aquela corrida na esteira ou no parque.
  • Diversão – Aquilo que queremos fazer quando não estamos preocupados nem com os resultados externos, nem com os resultados internos. Por exemplo, quando estamos jogando video game, brincando no quintal, ou batendo papo em um bar com os amigos.
  • Inútil – Esse é um tempo que não gera resultados externos ou internos, mas que também não é algo que queremos fazer. Normalmente é algo que temos que fazer simplemente porque são manutenções necessárias, mas não é algo que gera um resultado desejado explicitamente, nem é algo que gostaríamos de estar fazendo se tivéssemos escolha. Entram nessas atividades coisas como escovar os dentes, ir para o trabalho e dormir.

É claro que nas descrições acima eu previlegiei mais a clareza e o pragmatismo da explicação do que o rigor técnico. Você não precisa argumentar coisas como “Mas você poderia argumentar que dormir é um estudo pois ele gera resultados internos” e eu não teria como discordar de você, à não ser pelo fato de que, na prática, não há nenhum uso para agrupar as duas atividades na mesma categoria, e a teoria para se justificar isso tornaria maior um artigo já grande.

Portanto, minha visão é que a vida é dividida nesses quatro aspectos. Eu os chamos de fases. A minha teoria é:

Devemos diminuir a fase inútil de nossas vidas ao máximo possível. Depois, devemos dividir o restante em 3 partes, 1 parte para cada uma das outras fases.

Parece rigoroso, e é mesmo. Deixe-me explicar cada uma das duas partes:

  • Diminuir o tempo inútil ao máximo possível significa alocar a maior quantidade do seu tempo às outras fases da vida. Isso não significa dormir 4 horas por dia (embora algumas pessoas façam isso ainda que não tenham nenhum equilíbrio de vida). Alguns aspectos inúteis da vida não podem (ou não devem) ser diminuídos: dormir, escovar os dentes, almoçar e jantar. Já outros aspectos possuem muito potencial para serem diminuídos, como aquelas 2 horas por dia que você passa no trânsito para ir e voltar do trabalho.
  • Dividir cada uma das outras fases em 1/3 to tempo total. Isso significa que, para mim, a visão de equilíbrio é dividir exatamente por igual as fases Estudo, Diversão e Trabalho. Não é uma divisão de 1/2 par Diversão, 1/4 para Estudo e Trabalho (o que a maior parte das pessoas prega), nem 1/2 para Trabalho, 1/2 para Diversão e 0 para Estudo (o que a maior parte das pessoas faz)

Minha abordagem é usar essa teoria para separar e acompanhar o meu tempo gasto na semana. Semana porque dá tempo suficiente de realizar todas as tarefas que precisam ser feitas, e porque dá para quebrar o tempo em partes iguais e recorrentes. Afinal, todas as semanas possuem 168 horas.

Iniciamos, portanto, reduzindo da minha semana o tempo inútil. No meu caso as contas são as seguintes:

  • 8 horas por dia dormindo x 7 dias na semana = 56 horas
  • 30 minutos escovando os dentes por dia * 7 dias = 3,5 horas
  • 30 minutos de café da manhão por dia * 7 dias = 3,5 horas
  • 1 almoço por dia * 7 dias = 7 horas
  • 30 minutos de jantar por dia * 7 dias = 3,5 horas
  • 30 minutos para acordar e ir dormir por dia * 7 dias  = 3,5 horas

Essa, é claro, é a média, e existem exceções em todos os casos. Em alguns fins de semana, o almoço é na verdade diversão (um churrasco com os amigos). Outros dias, dormimos um pouco mais ou um pouco menos. Mas na média, em uma semana típica, essa é a minha divisão. Lembrando que, por trabalhar em casa, eu não gasto tempo no trânsito.

No total, isso siginifica que eu gasto, em média, 77 horas por semana de forma inútil: Sem me divertir, sem realizar nenhum trabalho e sem me aprimorar em nenhum aspecto.

Arredondando o número anterior para 78 horas, temos 90 horas restantes as quais devem ser divididas em 1/3 para cada aspecto da vida. Isso significa:

  • 30 horas de trabalho, ou 6 horas por dia em uma semana de 5 dias úteis.
  • 30 horas de estudo, o que significa 2 horas por dia da semana  e 10 horas por dia do fim de semana
  • 30 horas de diversão, o que significa mais ou menos a mesma proporção acima.

O primeiro impacto da divisão acima para a maioria das pessoas é: “É impossível trabalhar 6 horas por dia”. É claro que nem todos vão concordar com você, já que em países como a França a jornada de trabalho é de 6 horas, e o Tim Ferris acredita que você pode ter uma ótima vida trabalhando apenas 4 horas por semana em vez de 30h. Eu particularmente trabalho normalmente 7 horas por dia, ou seja, 35h por semana.

O segundo impacto é pensar: “É impossível passar 10 horas por dia do fim de semana estudando!”. Essa afirmação, no entanto, é muito mais difícil de justificar. Afinal, a maior parte das pessoas tem dificuldades reais em negociar sua jornada de trabalho, não podendo reduzí-la ainda que reduzindo proporcionalmente sua remuneração. No entanto, a maior parte das pessoas pode usufruir do final de semana como desejarem.

Essas duas afirmações mostram, de antemão, a falta de equilíbrio na vida da maior parte das pessoas. E isso foi evidenciado pela minha própria falta de equilíbrio no passado:

Quando eu iniciei minhas reflexões sobre esse conceito de equilíbrio, resolvi acompanhar detalhadamente quanto tempo eu gastava em cada uma das fases da vida. Eu fiz esse acompanahamento detalhadamente durante 3 semanas: Acordei às 8:00, cheguei no trabalho às 8:45, saí para almoçar 13:00, voltei para o trabalho 14:30, saí do trabalho às 18:30, cheguei em casa às 18:45, etc..

Antes do acompanhamento detalhado de como eu gastava o tempo, a minha percepção era a de que eu trabalhava demais e não tinha tempo para me divertir!! Mas depois que eu tinhas os dados reais, minha constatação me surpreendeu: eu tinha sim tempo para me divertir. O que eu não tinha era tempo para me aprimorar!

Ficava claro que, embora eu trabalhasse tempo demais durante à semana, eu tinha bastante tempo para me divertir no final dos dias da semana e nos fins de semana: de 45 à 50 horas por semana. O que eu não tinha tempo era para me aprimorar: Nem na minha profissão, nem fisicamente, nem intelectualmente.

Algumas pessoas devem acreditar que essa renegação do tempo de estudo não é por acaso, e sim algo natural. Mas existe algo naturalmente impeditivo em não se gastar tempo com os estudos.

A origem da excelência

Recentemente o tema da excelência parece ter ganho evidência instantânea, provavelmente por conta do livro “Outliers“, do Malcolm Gladwell. No entanto, embora esse livro seja ótimo, existe um outro que eu prefiro e que delineia melhor o mesmo assuto.

Esse outro livro se chama “Talent is Overrated“, do autor Geoff Colvin, editor senior da Fortune. Ele é uma versão mais resumida e amigável para nós, não pesquisadores, de um outro livro, que delineia detalhadamente todos os estudos e pesquisas  feitas no campo da excelência: O livro “The Cambridge handbook of expertise and expert performance“, coautorado por diversos pesquisadores, em especial um pesquisador chamado Anders Ericsson.

Como vocês já devem saber se vocês leram algum dos livros acima ou seus artigos derivados, a melhoria da performance está predominantemente atrelada à apenas um aspecto: O tempo de “deliberate practice”, que eu vou traduzir como “prática deliberada.”

É esse tipo de prática deliberada que temos quando associamos o treinamento ao aprimoramento de aspectos particulares que precisam ser melhorados, em vez de treinamentos amplos e genéricos, e um treinamento com feedback constante e consistente sobre nossa melhoria. É aquele treinamento que nos incomoda, é chato e doloroso, e o qual evitamos sempre que podemos (nem sempre, mas na maior parte das vezes). As evidências nos estudos de Ericsson mostram que, em média, aqueles que são considerados os melhores do mundo em seus respectivos campos acumularam uma média de 10.000 horas de prática deliberada! Algumas vezes, alguns deles possuem 20.000 horas!!

Meu artigo, no entanto, não é direcionado para pessoas que querem se tornar os melhores do mundo do mundo em um campo, já que para atingir 10.000 horas de prática deliberada é necessário cerca de 6 anos e meio treinando 30 horas por semana. E esse é o treinamento que é tão dolorido que não aguentamos mais do que 2 horas por dia. Nesse limite, levaríamos cerca de 20 anos!

Nem todos nós temos a pretensão de ser um atleta de nível olímpico, ou um CEO de uma grande corporação. Mas é preciso ter em mente que o que diferencia um do outro, fundamentalmente, é a sua capacidade de realizar as tarefas em seu campo. E que, salvo as devidas particularidades, essa capacidade está diretamente relacionada à quantidade de prática deliberada que você realizou.

Portanto, ainda que não seja o fator que nos vai elevar ao posto de melhores do mundo, a prática deliberada é aquela que irá diferenciar a sua performance em todos os campos da sua vida, e invariavelmente irá colocá-lo em uma determinada posição com relação à performance de todo o restante da população.

O mito de que a vida não deve ser dividida em fases

Em diversos artigos, como o da edição de janeiro/2009 da revista vida simples ou no artigo “sua vida não é uma caixa de bentoo” eles defendem que a vida não pode ser dividida em pequenas partes, e que basicamente essa separação de vida pessoal e trabalho (alguns não mencionam um tempo para o estudo!) é uma baboseira à qual você não deve dar atenção. Supostamente é algo criado na época do fordismo, mais bem ilustrado pela citação de Ford sobre as pessoas que se diziam infelizes no trabalho: “Você não está aqui para ficar feliz. Está aqui para trabalhar. Você pode se preocupar em ficar feliz quando estiver em casa”.

Exageros à parte, a idéia é que você não pode deixar os problemas do trabalho no escritório quando chega em casa, e nem deixar os problemas de casa quando vai trabalhar. Você deve, de alguma forma, conseguir lidar com todas essas as coisas ao mesmo tempo.

Acontece que, na minha visão, essas pessoas estão confundindo uma pequena mistura na divisória com uma mistura de todo o conteúdo. Quando você tem que pagar contas pessoais no trabalho, ou responder um telefonema do trabalho no fim de semana, ou não consegue dormir com preocupação sobre a reunião do dia seguinte, essas são pequenas exceções, as fronteiras: É como se um pouco de gohan tivesse caído sobre o seu sashimi.  Daí a afirmar que a vida é toda uma mistura é como afirmar que os países são todos iguais! As fronteiras afinal mostram que há essa sobreposição, assim como todos esses imigrantes!

No fundo, todo esse problema reside sobre um aspecto fundamental da separação de fases: A de que o aproveitamento de cada tarefa é analógico, e não digital.

Na ciência da computação, dentro da disciplina de inteligência artificial, existe um conceito chamado “lógica fuzzy“. Para simplificar o ponto apenas para explicar o nosso argumento, na lógica booleana convencional da ciência da computação temos apenas dois estados: verdadeiro e falso. Assim, utilizando lógica booleana, classificaríamos nossas atividades assim:

  • Meu emprego –  Trabalho: verdadeiro, Estudo: verdadeiro, Diversão: falso
  • Jogar futebol – Trabalho: falso, Estudo: verdadeiro, Diversão: verdadeiro
  • Video game – Trabalho: falso, Estudo: falso, Diversão: verdadeiro

Em um mundo assim, é fácil assumir que a vida tem, na verdade, tudo verdadeiro, e que meu objetivo deveria ser encontrar uma forma de ganhar dinheiro jogando futebol.

Na lógica fuzzy, of valores no entanto são analógicos, e ao mesmo tempo graduais:

  • Meu emprego – Trabalho: 70%, Estudo: 10%, Diversão: 10%
  • Jogar futebol – Trabalho : 0%, Estudo: 10%, Diversão: 60%
  • Video game – Trabalho: 0%, Estudo: 5%, Diversão: 80%

É claro que podemos encontrar maneiras de maximizar as expressões, mas quanto mais nós as detalhamos, mais percebemos as carências em cada uma delas. Não é à toa que jogadores de futebol, assim como outros esportistas profissionais, passam mais tempo treinando (estudo) do que jogando (trabalho). Se jogar também melhorasse o jogo deles com a mesma eficiência, eles passariam o dia inteiro no centro de treinamento jogando partidas amistosas.

Mas não há nenhum preparador físico treinando jogadores apenas com partidas amistosas, há? Pois é.

Trabalhando de casa

Hoje, lendo algumas notícias enquanto voltava do almoço (sim, eu normalmente leio notícias do Hacker News quando estou voltando para casa do almoço) eu me deparei com um artigo alarmante (para mim): “Working from Home -Why it sucks.

O artigo procura demonstrar como, para o autor, trabalhar de casa é horrível comparado com trabalhar de um escritório de verdade. Embora ele aponte diversos motivos não relacionados, como a solidão de se trabalhar de casa, ele também procura, assim como algumas pessoas nos comentários, mostrar como a não separação é de trabalho e casa é prejudicial.

Isso também vem daquela premissa de que a vida é uma grande mistura de todas as áreas. No entanto, de que, de alguma forma, trabalhar no escritório o ajuda a realizar essa separação. Enquanto que na seção passada vimos que algumas pessoas acreditam que essa separação não é possível nem se estivermos trabalhando no escritório.

Como eu trabalho de casa, embora há pouco tempo, me sinto na autoridade de dar a minha opinião. E a verdade é que a separação não só é possível, como também não é apenas relacionada com a separação física. Assumir que a separação precisa ser física é como afirmar que uma pessoa não pode tomar um café no starbucks se ela está acostumada a levar o notebook para trabalhar lá.

No entanto, é preciso que essa separação exista em diversas premissas: Assim como você não pode sair para fazer lavar a louça quando está no trabalho, é melhor que não lave a louça enquanto estiver trabalhando de casa. Assim como você não irá reconfigurar o servidor às 10h da noite se estivesse em casa depois de um longo dia no escritório, não vai fazer isso só porque está online enquanto está surfando na internet em casa e seu chefe lhe pediu.

Mais uma vez, assumir que essa mistura seja toda uma coisa só é um absurdo. Imaginar que você pode trabalhar 100% e se divertir 100% do tempo só vai lhe garantir 20% de produtividade e 20% de descanso durante todo esse tempo..

É muito importante que, quando você esteja trabalhando, se preocupe em trabalhar. Quando estiver estudando, se preocupe em se aprimorar. E quando você estiver jogando video game, se preocupe em chutar a bunda daqueles inimigos malditos!

Essa separação é fundamental para que o aproveitamento de cada uma das atividades seja o maior possível, e isso não está relacionado com não trabalhar no sábado ou não ir no cinema na terça feira à tarde. Está relacionado com foco. A palavra em inglês que eu uso, na verdade, não é “focus”, e sim “mindfulness”.

O mito das multi-tarefas

A primeira vez em que eu abri realmente os olhos para os problemas das multi-tarefas foi no artigo “Multitasking makes us stupid?” do excelente (e finado) blog Creating Passionate Users. A tese do artigo é a de que “não podemos realizar diversas atividades ao mesmo tempo sem detrimento da qualidade das atividades”. É claro que ninguém discorda disso. A pergunta é: “A perda de qualidade compensa a realização de mútiplas tarefas simultâneas?” Se a perda de qualidade compensar a execução de múltiplas tarefas simultâneas, então após 1 hora executando ambas as atividades simultâneamente, teremos um resultado maior em ambas as atividades do se que tivéssemos dedicado apenas 30 minutos para cada uma das atividades separadamente.

A autora do artigo cita diversos exemplos: O real detrimento de falar ao telefone enquanto respondemos à um email ou de fazer a lição de casa enquanto assistimos tv. No artigo, há links para diversos estudos que mostram o real detrimento da qualidade das atividades, assim como o esforço que gastamos ao tentar manter tarefas em paralelo e alternar entre elas.

Depois de ler esses e outros artigos, e de assistir ao desempenho de diversos profissionais que são os melhores do mundo em suas áreas, estou convencido: Qualquer atividade não trivial exige exclusividade da sua atenção para ter a performance ótima.

É necessário entender esse ponto para poder aceitar que é mais fácil encontrar uma atividade que seja Estudo=100% e Trabalho/Diversão=0% do que uma atividade que seja Estudo/Trabalho/Diversão=33%. A percepção de que uma atividade é 33% em todas as áreas provavelmente está distorcida, como acontece com a maior parte das pessoas que executa as tarefas em paralelo: Elas acreditam que estão executando suas atividades de forma muito melhor do que realmente estão. Elas superestimam enormemente sua própria capacidade de carregar tarefas em paralelo.

É por isso que é tão importante que as separações entre cada aspecto da vida sejam bem delineadas e distintas. No final de uma semana, 168 horas depois, os resultados das suas atividades, seja o quanto você se divertiu, o quanto você produziu, ou o quanto você aprendeu, será muito maior se você tiver feito uma separação clara de cada uma delas, e não o contrário.

Sobre ser o melhor do mundo

Por fim, algumas pessoas pensam: “Ah, isso é muita paranóia. Eu não quero acompanhar no relógio quanto tempo me divirto. Nem quero ser um campeão olímpico”. Para mim, esse pensamento, assim como os outros pensamentos dessa mesma linha, não passam de justificativas para a mediocridade. E essas justificativas só permanecem, é claro, enquanto não precisamos explicitamente delas.

Com o perdão do paralelo, vocês já assistiram “Supernanny” ? É um programa de televisão em que uma especialista em comportamento infantil ajuda pais a educarem seus filhos. Na verdade, se você já asssitiu alguns desses programas vai reconhecer que, o que a Supernanny faz na verdade, é educar os pais das crianças. A maior parte deles acha que as teorias da nanny são paranóicas e exageradas, e deixam os filhos decidirem fazer o que quiserem quando quiserem, e esperam as crianças crescerem e as coisas melhorarem naturalmente.

É claro que as coisas não melhoram: Pais ficam ser dormir em suas prórpias camas por 10 anos, e crianças de 7 anos continuam mamando no seio da mãe. Quando a nanny interfere na educação da criança, a primeira coisa que ela cria para as crianças é o quê? A rotina: um horário para brincar, um horário para estudar, um horário para comer, um horário para dormir. Nada de atividades misturadas.

O resultado é às vezes estarrecedor. Crianças que pareciam “incuráveis” se tornam verdadeiros anjos. E não são anjos entediados. Elas brincam no parque como nunca brincaram no passado. Passam a dar sorrisos e gargalhadas em vez de gritos e choros.

Só que nem todos nós tivemos uma Supernanny na infância. E a maior parte de nós, quando crescemos, agimos exatamente como essas crianças: quando não temos horários impostos à nós (como no emprego), nos comportamos de qualquer jeito, fazendo qualquer coisa à qualquer horário. Quando nossos pais não nos educam mais, no ponto de vista da educação, nos tornamos nossos próprios pais. E pais tão bonzinhos quanto aqueles que chamam pela Supernanny.

Portanto, a paranóia não é injustificada, e nem é algo que você deve fazer para ser um medalhista olímpico ou um campeão mundial. A qualidade da educação do seu filho depende disso. A qualidade do seu relacionamento amoroso, ou com sua família, depende disso. A quantidade de diversão que você consegue no final de semana, ou no final de um dia, também depende disso.

Portanto, não é necessariamente questão de querer ser o melhor do mundo no seu campo. É questão de poder aproveitar ao máximo cada uma de nossas atividades, ainda que com a limitada dedicação que possamos ter à elas. Podemos não ser experts em criação de crianças como a Supernanny, mas se contarmos com o estudo=verdadeiro, trabalho=verdadeiro de aprendermos na prática conforme criamos nossos filhos, corremos o risco de educá-los como alguns dos pais que vemos no programa. Enquanto que se estivermos realmente preparados, podemos nos concentrar em aprender no momento de aprender, e de aplicar o trabalho no momento de aplicá-lo.

Como diz o ditado japonês: “Chore no dojo. Ria no campo de batalha.”

E, se eu pudesse sumarizar o espírito desse artigo na frase acima, seria: “E beba saquê. Mas nunca no dojo, ou no campo de batalha”.

Entendendo o perfeccionismo

Vez por outra eu vou tomar um café com meus amigos para refletirmos sobre algumas idéias. Carreira, dinheiro, disciplina, relacionamentos, sempre temos um tópico da vez. Na maior parte das vezes as conversas são interessantes, mas não relevantes.

Hoje no entanto, foi diferente.

A discussão de hoje também beirou diversas das áreas acima, mas gravitou em torno de um tópico: “perfeccionismo”.

A minha antiga visão sobre perfeccionismo era: “Uma pessoa que se apega demais à detalhes e não consegue terminar nada do que começa porque sempre falta algo.”

Você já ouviu variações das frases “O ótimo é inimigo do bom” e “é melhor ter um produto bom hoje do que um perfeito amanhã (porque amanhã nunca chega)”, etc. Elas estão sempre associadas à esse perfeccionismo.

Eu lembro que na minha primeira avaliação de desempenho como profissional, no início da minha carreira, o líder de equipe deu o seguinte feedback sobre mim: “Extremamente perfeccionista. Acaba buscando soluções que são superiores à exigida pelo problema, em detrimento da execução de outras tarefas mais importantes.”

Sabe o que pensei quando li essa avaliação? “Eu não estou sendo perfeccionista. Se você olhar meu trabalho, não tem nada de perfeito nele. Aliás, ele é um trabalho bem ruim. Eu só trabalhei o suficiente para conseguir o mínimo aceitável.”

Você deve conhecer alguém assim também. Alguém que parece que busca a perfeição em tudo o que faz. Mas que, de uma certa forma, não parece fazer nada de tão perfeito assim.

Agora pense em pessoas que realmente buscam a perfeição naquilo que fazem: Gary Kasparov, Tiger Woods, Roger Federer.

Eles parecem “perfeccionistas” como eu pareço na minha avaliação de desempenho? Não. Mas como eles podem ter buscado tanto a perfeição sem “perfeccionismo”, então?

Porque o que nós chamamos de “perfeccionismo” é, na verdade, *covardia*.

Covardia porque, para buscar a perfeição, é preciso desenvolver seu trabalho da melhor forma possível. E para desenvolver seu trabalho da melhor forma possível, você precisa passá-lo pela fase crítica:

O *Teste*.

O preparo interminável seguido do constante adiamento da prova de fogo associado com o perfeccionismo não é nada mais do que covardia. Os verdadeiros perfeccionistas procuram, o quanto antes, saber onde é que eles precisam melhorar. Eles procuram, o quanto antes, expor suas fraquezas.

O enxadrista busca um jogo com um adversário mais forte. O escritor busca, o quanto antes, leitores para sua obra. O programador busca, o quanto antes, usuários para o seu sistema.

Eles buscam o teste. Eles buscam colocar o seu trabalho à prova, para saber onde eles devem melhorar. Isso é buscar a perfeição.

No seu livro “The Art of Learning”, o Josh Waitzkin faz a comparação com um caramujo. O caramujo continua crescendo, embora a concha onde ele vive não acompanhe seu crescimento. Vez por outra, ele precisa deixar sua concha e se expor aos predadores em busca de uma concha maior, para poder continuar crescendo.

É preciso se expor para poder melhorar. Não existe “estar pronto” antes de começar. O treinamento é um ciclo constante entre a teoria e a prática. A prática, além de ser o uso das suas habilidades, faz também parte do treinamento dessas mesmas habilidades.

Existe um ditado samurai que diz “chore no dojo, ria no campo de batalha”. Eu confundia esse ditado com “não vá para o campo de batalha à não ser que você já tenha chorado bastante no dojo”.

Eu estava errado. Na verdade, parte do seu treinamento vem do dojo. A outra parte, acontece lá, no campo de batalha. Você não pode buscar a perfeição como samurai sem ela.

Pense nas habilidades que você pretende desenvolver. Pense nos produtos frutos do seu trabalho. Você busca mesmo a perfeição para eles? Ou você ainda não os expôs à nenhum teste?

Você só pode escolher uma das alternativas. Ou você é um perfeccionista, que expõe seu trabalho e suas habilidades à testes constantemente, expondo suas fraquezas e debilidades.

Ou você é um covarde.

É melhor ser um especialista ou um generalista?

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O especialista é aquele que é excelente em um determinado campo. O generalista é aquele que é razoavelmente bom em diversos campos.

Diversas vezes na sua vida você vai passar por esse dilema: “É melhor eu ser um especialista em algo, ou um generalista em tudo?

Você pode achar que essa é uma pergunta difícil de responder, mas não é. Na verdade, você só precisa responder a outra pergunta, bem mais fácil, para decidir se você deve ser um especialista ou um generalista:

A pergunta é: “Eu quero ter sucesso?”

É uma pergunta bem fácil de responder, não é? Mas como é que ela leva à resposta de se você deve ser um especialista ou generalista?

Resposta: Se você quer ter sucesso, você deve se tornar um especialista. Senão, você deve se tornar um generalista.

Calma, calma, eu já sei que você pensou: “Mas os generalistas podem ter sucesso! Eu conheço um generalista de sucesso!”. Eu já vou chegar lá. Continue comigo.

O motivo pelo qual você deve se tornar um generalista se você não se importar em ter sucesso é que é muito mais legal ser um generalista. A maior parte das pessoas concorda que é mais empolgante aprender uma série de coisas novas e diferentes do que ter que melhorar sempre na mesma coisa.

Além disso, quando você ainda está aprendendo um campo, o progresso é rápido e evidente. Depois que você já domina uma habilidade por anos, o progresso se torna lento e doloroso. Às vezes. Você vai até duvidar de que fez qualquer progresso nos últimos meses.

Portanto, do ponto de vista pessoal, é muito mais motivador e divertido ser um generalista.

Mas, para ser uma pessoa de sucesso, você depende do reconhecimento e da valorização das outras pessoas. E as pessoas não valorizam os generalistas.

As pessoas valorizam os especialistas.

Isso porque as pessoas têm muita dificuldade em associar áreas diferentes com a mesma pessoa ou empresa. Elas só pensam naquilo que as interessa naquele determinado momento.

Ninguém pensa se a Yamaha vende motos quando quer comprar um teclado. As pessoas só pensam se a Yamaha vende bons teclados.

Da mesma forma, ninguém pensa nos teclados da Yamaha quando quer comprar uma moto. As pessoas só se importam se a Yamaha vende boas motos.

Ninguém se importa se a Motorola vende infra estrutura de telefonia ou não quando quer comprar um celular. Eles só querem comprar o melhor celular.

Você deve estar se perguntando: “Mas e quanto às empresas que são generalistas em áreas relacionadas?

Afinal, você se importa se a Apple faz ou não o seu celular caso você possua um notebook da Apple. Você se importa se a Fender faz amplificadores se ela faz a sua guitarra.

A resposta para essa pergunta é menos óbvia: “Essas empresas não são generalistas. Elas são especialistas em um campo mais amplo”.

Não, não dá para ser um “especialista em tudo” seguindo essa teoria. Ser especialista continua sendo “alguém que é excelente em um determinado campo”. Só que um campo normalmente consiste de múltiplas habilidades.

Por exemplo, alguém que é especialista nos 100 metros rasos precisa ser um excelente em explosão e velocidade.

Um especialista em futebol, no entanto, precisa ser excelente em explosão e velocidade, mas também em controle de bola, impulsão, e marcação ou chute, dependendo da posição em que ele jogue. Um goleiro precisa ter domínio de outras habilidades ainda.

“Jogador de futebol” é um campo “amplo”. Você precisa dominar diversas habilidades para poder ser um jogador destacado.

A maior parte dos especialistas no mundo precisa dominar diversas habilidades. Um executivo de sucesso precisa ter excelentes habilidades de gerenciamento, raciocínio abstrato, planejamento, comunicação, persuasão e administração do tempo, entre outras. Isso faz dele um “executivo especialista”, e não um generalista. Esses fatores influenciam diretamente em seu sucesso como executivo.

Ninguém se importa se esse executivo é um excelente surfista ou se ele sabe andar de patins. Essas habilidades são praticamente irrelevantes para formar um executivo de sucesso.

Quando você pensar em um “especialista”, pense em todas as habilidades que estão relacionadas com aquela especialidade. É preciso saber mais do que uma linguagem de programação para ser um programador especialista, mais do que saber oferecer algo para ser um vendedor especialista, mais do que saber elaborar um cronograma para ser um gerente especialista.

Mas se você quiser ter sucesso, você vai precisar ser um especialista em algum campo.

Você é viciado em desperdiçar seu tempo na internet?

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Muita gente passa bastante tempo na internet.

Muita gente é viciada em internet.

Muita gente… muite gente mesmo, desperdiça muito tempo na internet.

Tempo despediçado é tempo que você não investe nem em boa diversão, nem no seu benefício futuro.

Fazendo uma analogia, se tempo fosse dinheiro…

– tempo gasto em diversão seria como o dinheiro que você gasta para comprar algo que você quer muito.

– tempo investido seria como o dinheiro que você coloca no banco para ter mais dinheiro no futuro.

– tempo desperdiçado seria como pegar um bolo de dinheiro e jogar na lata do lixo.

Muita gente joga o tempo delas na lata do lixo, usando a internet.

Não há nada de errado em passar 5 horas por dia na internet. Ou 10h, ou 12h, ou 20h. Assim como não nada inerentemente errado em gastar R$ 4.000,00 em uma TV ou R$ 38.000,00 em um carro. O problema é pegar, que sejam R$ 500,00, e jogar na lata do lixo.

O problema é a forma como você usa esse tempo, não a quantidade de tempo.

Veja alguns exemplos de como jogar seu tempo no lixo:

1) Informações que expiram rapidamente:

Sites como terra, uol e ig oferecem em sua maior parte informações que parecem úteis à primeira vista, mas que na verdade são informações fúteis.

Eles tentam passar para você a sensação de que é importante conhecer sobre o que eles querem te informar, mas não é. A maior parte daquelas informações nunca terá a menor relevância na sua vida, e provavelmente não terá relevância na vida de ninguém em algumas semanas.

As chances são que, se você passa 30 minutos por dia em alguns desses sites, considerando apenas os dias úteis, em um ano você tenha passado 130 horas, o equivalente a 5 dias e meio, lendo um conteúdo que não melhorou a sua vida em nada, e nem te divertiu. Você jogou 8 dias do seu ano no lixo, e agora seu ano tem apenas 357 dias.

2) Emails encaminhados:

Emails encaminhados são todos aqueles emails que circulam pela internet e ninguém mais sabe quem é o autor. Para mim, emails encaminhados são a nova televisão. Eles produzem um entretenimento próximo de zero, um conteúdo informativo também próximo de zero, ambos expiram rapidamente (as chances são de que em menos de 1 mês não se lembre de mais nada), mas ocupam uma quantidade monstruosa do tempo das pessoas.

O email encaminhado é o irmão mais novo da televisão porque ele é o “entretenimento” passivo. É o entretenimento em que lhe alimentam, de colherzinha, o que você deve ou não ler. Não por acaso, normalmente eles erram sobre o que você gosta, assim como a tv. É a lei do menor esforço. E a do maior desperdício de tempo.

O mais interessante é o compromisso que as pessoas criam de “acabar com os e-mails encaminhados não lidos”. Elas criam um compromisso de desperdiçar o tempo delas só para não correr o risco de perder algo que pode ser muito legal/interessante. Adivinhe só: Você já está perdendo inúmeras coisas legais e interessantes ao ficar aí desperdiçando seu tempo lendo emails encaminhados.

O pior é ouvir de algumas pessoas que eles são bons para “passar o tempo”. Emails encaminhados não servem para passar o tempo, servem para desperdiçar o tempo. Se você vê 15 minutos de e-mails encaminhados durante a semana, e 1 hora no fim de semana, você gastou mais aproximadamente 7,5 dias do seu ano, que agora só tem 349,5 dias.

Só leia e-mails que foram escritos pela pessoa que lhe enviou o e-mail. Não leia e-mails encaminhados.

3) MSN (Yahoo Messenger, Google Talk, AIM, etc):
Um dos maiores problemas do MSN é que ele é síncrono. Isso significa que se alguém quiser se comunicar com você, você precisa fazer uma pausa momentânea para responder. Essas interrupções consecutivas te impedem de focar no que você estava fazendo, e portanto você não conseguirá fazer outra coisa, seja para se divertir ou para produzir.

Além disso, é muito difícil parar uma conversa com um amigo. Quando alguém te diz oi e você responde, a expectativa implícita é a de que vocês devem conversar até que vocês não tenham mais assunto. Outro problema do MSN é que o silêncio por MSN não é tão constrangedor quanto por telefone, o que encoraja as pessoas a ficarem conversando quando o assunto já não é mais interessante, ao contrário do telefone. O MSN também te dá mais tempo para pensar em algo, o que incentiva as pessoas a perpetuarem a conversa.

O MSN se popularizou na época da internet da banda estreita (época do ICQ, lembra?), em que não havia conversa de voz pela internet (Voip), e as alternativas para conversar com alguém eram pagar e falar por voz, ou falar de graça por texto. Essa época acabou.

Apesar de também ser síncrono, o Voip incentiva a rápida resolução do que precisa ser resolvido, ou dá um tom mais pessoal para a conversa entre amigos, trazendo o melhor dos dois mundos seja o interesse em se divertir ou em resolver um problema.

Já o email também traz uma enorme vantagem sobre o MSN: O email é assíncrono. Significa que, ao contrário do MSN (e do telefone), você não vai interromper a pessoa quando começar a comunicação com ela, e ela vai te responder quando for mais adequado para ela, e não quando for mais adequado para você. E você nunca mais vai ser interrompido.

Se você passa 30 minutos por dia no MSN, e 3 horas em cada dia do fim de semana (esses são valores bem inferiores ao de várias pessoas), você desperdiça mais de 200 horas, ou seja, 12,5 dias e meio. Seu ano agora só tem 337 dias.

Resolva todos os seus problemas de comunicação não urgentes ou não tão pessoais por email. Os urgentes, resolva por Voip ou telefone.

E desmarque a opção de inicializar o MSN automaticamente quando o windows inicializar.

4) Blogs:

Como é que você vivia sem blogs antes?

Quais foram as matérias que você leu em blogs que mudaram sua vida no mês passado? E na semana passada?

Blogs estão por todo lugar, com conteúdo para todos os tipos de gosto (inclusive esse que você está lendo agora 🙂 ). Esse “excesso de oferta”, no entanto, causa uma sobrecarga de informação. E mesmo informações que não deveriam ser importantes investimentos e não deveriam expirar no curto prazo acabam expirando, para dar espaço para outras informações, que darão espaço para outras informações, etc.

A grande tentação do blog é que tão mais fácil ler algo do que fazer algo. Você pode passar o dia inteiro lendo sobre design digital e achar, no final do dia, que aprendeu um monte sobre design digital, mesmo sem ter aberto o photoshop. Você pode ler o dia inteiro sobre javascript e no final do dia achar que é expert em desenvolvimento web.

A maior parte das pessoas lê pelo menos 30 minutos de blogs por dia sem tomar uma providência sobre o que acabaram de ler. Isso significa que elas passam 234h, ou 14,5 dias, lendo blogs. O ano delas agora tem apenas 322,5 dias. Só por causa da internet.

Resista a tentação. Se você estiver lendo um blog com um enfoque “produtivo”, pergunte-se “existe uma forma de eu engajar ativamente esse problema de forma a aprendê-lo?”. Anote os pontos importantes do artigo que você leu, crie pequenas tarefas para cumprir. Utilize o blog como uma ferramenta para mudar sua vida para melhor. Faça a leitura do blog valer a pena.

Existem inúmeras outras formas de jogar seu tempo no lixo:

Youtube, Orkut, World of Warcraft, etc. Eles podem parecer, ou podem ter sido em algum momento, autêntica forma de diversão. O problema é quando eles deixam de ser a coisa mais divertida que você poderia estar fazendo agora, mas você permanece lá, esperando aquela diversão voltar.

Adivinha? Ela não vai voltar.

Mais importante de tudo:

Use seu tempo conscientemente quando estiver na internet. Reflita se aquilo que você está fazendo melhora sua vida de forma significativa. Pergunte-se se isso será relevante daqui à 6 meses ou 1 ano.

Se a resposta for não, pergunte-se se você está se divertindo para valer com aquilo. Pergunte-se se é a coisa mais divertida e sublime que você poderia estar fazendo nesse momento.

Se a resposta também for não, você está viciado em desperdiçar seu tempo na internet.

Desligue o computador e vá encontrar os amigos. Vá dar uma volta no parque. Vá namorar. Ou vá ler um bom livro. 🙂

O sucesso é construído à noite

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Recentemente mudei a minha mensagem de status do Skype para “O sucesso é construído à noite”.

Um amigo de longa data me perguntou: “O que você quer dizer com isso?”, mas eu não estava online para responder.

“O sucesso é construído à noite” é uma citação de um texto muito famoso do Roberto Shinyashiki. Curiosamente não consegui encontrar esse texto no site do próprio Roberto Shinyashiki, mas ele pode ser encontrado em diversos outros blogs e sites.

Pare para pensar em alguém que alcançou o sucesso em uma área em que você busca ter sucesso. Pare para pensar em alguém que conseguiu alcançar algo que você almeja. Qual a diferença entre vocês?

Para mim, “a genialidade é construída, não inata”. Diria mais, “A genialidade é construída à noite”.

Não existe genialidade em nada que não seja amparada por milhares de horas de treinamento e prática. O potencial não passa disso, potencial, enquanto não puder ser aplicado. E para aplicarmos algo, é preciso que tenhamos treinado para isso.

Curiosamente, a genialidade também não é uma característica absoluta. “Não há como todas as pessoas no mundo serem genios!”. Se houvesse, assim como a revolução dos bichos, uns seriam mais geniais que os outros.

A genialidade, assim como o sucesso, são características relativas. Você só é genial se houver alguém para não ser genial ao seu lado. Todas as coisas que fazemos, por mais difíceis que sejam, mas que todas as outras pessoas conseguem fazer também, são tratadas com desdém.

O genial precisa, por definição, ser diferente. Pense em algo realmente abençoado que você tem, que é muito importante, mas que é tratado com desdém: Sua saúde e integridade física.

Algumas pessoas possuem uma saúde debilitada. Outras pessoas possuem alguma deficiência física. A maior parte das pessoas, no entanto, é perfeita. Possuem uma saúde impecável e o físico perfeitamente íntegro. Isso é muito importante. Mas é tratado com desdém, já que é tão comum. Ninguém se sente genial ou modelo de sucesso porque possui integridade física. São aqueles que possuem um corpo mais apto que o comum que recebem o adjetivo de excepcional.

Da mesma forma, para aqueles que querem ser ricos, é preciso ter consciência que a riqueza é, acima de tudo, um valor relativo. Imagine que você tivesse 1 milhão de reais no mundo hoje. Você certamente poderia fazer coisas que outras pessoas não podem fazer, como não precisar trabalhar.

No entanto, imagine que você tenha 1 milhão de reais no mundo em que todos têm 1 milhão de reais. Isso acontece em algumas economias, e a única coisa que acontece é que eles removem 6 zeros da direita do número antes de fazer as contas, e o seu 1 milhão vale a mesma coisa que 1 real. Isso por que os comerciantes também possuem 1 milhão, assim como os funcionários públicos, os funcionários do seu prédio, etc. Com a grande disponibilidade de dinheiro o preço dos produtos sobem e o que era excepcional em um outro contexto, agora é comum.

É por isso que o sucesso é construído à noite. Durante o dia, você está trabalhando, estudando, se aprimorando. E todos estão fazendo isso assim como você. É à noite que você ganha a oportunidade de se diferenciar.

Não se iluda pensando que você pode se diferenciar e conseguir fazer tudo o que as outras pessoas que não se diferenciam também fazem. “Eu posso me diferenciar e ver televisão”. “Eu posso ter sucesso e dormir até mais tarde”. É exatamente isso que eles estão pensando também.

A maior parte das coisas que você sabe fazer hoje e das coisas que você construiu são responsabilidade do seu empenho no passado. Se você sabe tocar um instrumento musical, é porque você treinou até aprender. Se você toca melhor que alguém, é porque treinou melhor. Se toca pior, é porque essa outra pessoa treinou melhor do que você.

Quando você for se apresentar ninguém vai querer saber se você aprendeu a tocar com apenas 1 hora de treino ou com 1000 horas. Vão querer saber se você sabe tocar ou não. Se você é bom ou não. Se o melhor que eles já viram, ou não.

Não se iluda com os comentários das pessoas mais próximas. Muitas vezes nossos amigos e familiares vão nos elogiar simplesmente porque somos filhos ou amigos excepcionais. Não deixe que eles te convençam. O mundo é MUITO GRANDE, e quando você for se comparar com as outras pessoas vai ver que o que seus pais e amigos achavam extraordinário não passa de algo simplesmente ordinário.

Criar essas expectativas falsas pode te impedir de buscar ser o melhor, de buscar o sucesso. Você pode imaginar “É muito difícil ter sucesso nessa área”. Sim, é mesmo. Tem que ser. Senão todos teriam sucesso, e aí ninguém teria, pois isso não seria considerado um sucesso. Seria algo comum.

Mas não se iluda. Você vai ouvir coisas do tipo: “Nossa! O sucesso dele é tão natural!” e “Olha que talento! Até parece que ele não faz esforço nenhum para ter uma performance excepcional!”. Normalmente, as pessoas que fazem esse tipo de comentário não são pessoas excepcionais.

As pessoas realmente excepcionais sabem que não existe “talento natural” e “fazer sem esforço” sem que tenha havido um treinamento e um esforço monstruoso no passado. Algumas pessoas beiram a obsessão. Não existem excelentes pianistas que não treinaram por milhares de horas no passado. Não existem excelentes corredores que não treinaram diversos dias a fio, no sol, na chuva, no calor ou no frio. Não existem excelentes executivos e fundadores de empresas que não trabalharam por milhares de horas, em fins de semana, em feriados, de madrugada, durante as férias. E só treinar ou trabalhar por diversas horas não quer dizer nada. Treinar é muito mais do que simplesmente gastar tempo. Senão todas as pessoas que fazem esses cursos de inglês nessas escolinhas falariam inglês fluentemente, e os alunos que saem da faculdade seriam todos excepcionais comparados aqueles que não tiveram a oportunidade de cursar uma universidade.

Por fim, quando você vir alguém de sucesso, procure entender quando foi que ele construiu o sucesso dele. Tenho certeza que você também vai reconhecer um padrão: “O sucesso é construído à noite”.

Rescue time fazendo sucesso aqui no trabalho

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Esses dias meu chefe veio conversar comigo sobre GTD, queria tirar umas dúvidas sobre como eu conheci o GTD, etc.

Aproveitei para mostrar para ele os meus artigos sobre GTD.

Depois, surfando pelo meu blog, ele descobriu o meu post sobre “Slimtimer e Rescuetime” e achou interessante. Aproveitou para recomendar o RescueTime para os meus colegas de trabalho.

E não é que funcionou? Alguns deles já estão utilizando o RescueTime para acompanhar como é que eles usam o tempo deles e como eles podem melhorar esse uso. Eu acho que é algo que vai trazer benefícios tanto para meus colegas quanto para a empresa.

Uma das reclamações mais comuns, no entanto, é que o RescueTime não diferencia o tempo gasto em reuniõs do tempo gasto no almoço ou qualquer outro tempo longe do computador.

Quem sabe eu não consigo resolver esse “probleminha”?

Quanto tempo do seu dia você desperdiça?

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Uma das coisas que eu aprendi a fazer, já há algum tempo, é gerenciar o meu tempo no computador. Como eu passo a maior parte do meu tempo no computador (tanto no trabalho quanto em casa), é impressionante a quantidade de tempo que você gasta de uma forma que você não imaginava antes, até você colocar as coisas na ponta do lápis.

O Steve Pavlina, que é uma das minhas referências de auto desenvolvimento, explica que na primeira semana em que ele manteve um log de tempo ele gastou 15 horas de trabalho, embora ele tivesse passado 60 horas no escritório. Eu tive resultados semelhantes, senão piores, quando comecei a acompanhar meu gasto de tempo também. É provável que isso aconteça com você também.
O gerenciamento de tempo é muito similar ao gerenciamento de dinheiro. Quando você não acompanha de perto o que está sendo gasto, a tendência é que ele seja desperdiçado. Portanto, assim como acontece com o dinheiro, é bem provável que as pessoas que reclamam de “falta de tempo”, na verdade, desperdiçam boa parte de seu tempo. É bem provável que elas também nem saibam o quanto.

Se você quiser mudar isso, eu tenho duas sugestões: Rescuetime e Slim Timer.

O Rescuetime é uma ferramenta de gerenciamento de tempo que acompanha a forma como você gasta seu tempo no computador. Ele sabe qual é a página da Web que você manteve como ativa, ou qual o aplicativo que você manteve como ativo, e guarda essas informações no banco de dados dele. Depois, ele pede para que você categorize cada uma das aplicações/páginas:  “Ex: Terra – Diversão, Eclipse – Trabalho, Outlook – Trabalho, Netvibes – Diversão”. Depois, ele te exibe uma série de gráficos sobre como você está usando o seu tempo.

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Exemplo da Home do Rescue Time, mostrando uma sexta feira minha.

Já o Slim Timer funciona de um modo diferente: Nele você lança as tarefas que você irá executar, e controla o tempo manualmente: “Agora eu estou trabalhando.” “Agora eu estou descansando”, etc.

Apesar das desvantagens de ter que controlar manualmente algo que o Rescue Time controla automaticamente, esse controle tem diversas vantagens. O RescueTime, por exemplo, não consegue distinguir um tempo que você gastou em reunião, o tempo que você gastou no almoço e o período que você ficou matando o tempo tomando café. Já no SlimTimer, basta você ter uma tarefa “Reunião”, “Almoço” e “Café” e escolher a tarefa adequada para cada situação.

Além disso, o SlimTimer lhe permite acompanhar quanto tempo você gastou em múltiplas tarefas que utilizam uma mesma aplicação, por exemplo, se você está atendendo dois clientes diferentes com o Eclipse ou Photoshop, você sabe quanto cobrar de cada um deles.

Você deve estar se pergutando: “Mas eu não vou esquecer de mudar o meu timer?”… vai. Com certeza. Os tempos sempre serão aproximações. Mas você acostuma, e você sempre poderá entrar no site para alterar as marcações erradas. Ou seja, embora às vezes você vá errar um pouquinho, o sistema funciona muito bem.

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Exemplo de um relatório do Slim Timer de Novembro/2006

Hoje eu utilizo o RescueTime para minhas tarefas no trabalho, e o Slim Timer para as minhas tarefas em casa. Recentemente eu tenho ficado um pouco descontente com os relatórios automáticos e considerado voltar para o Slim Timer, simplemente para ter dados menos aproximados e mais confiáveis.

No entanto, não importa qual aplicativo você use, aprenda a controlar como você gasta o seu tempo. Marque onde é que você está gastando seu tempo, e faça uma análise no final da semana. Tente fazer com que na semana seguinte você gaste seu tempo de uma maneira melhor que na anterior. E repita o ciclo.

Aprenda a otimizar o gasto do seu tempo, e as reclamações de “não tenho tempo” vão se tornar explicações de “com as tarefas x, y e z, não tenho tempo para fazer k. Será que eu consigo fazer y em menos tempo?”

Você vai se surpreender com os resultados.

Sonegar impostos é roubar o governo

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E com que direito então você chama os políticos de “ladrões”?

Qualquer tipo de imposto que você sonega remove dos cofres públicos um dinheiro que deveria pertencer aos cofres públicos por direito. Não interessa se você importou um produto através de “um amigo” para não pagar imposto de importação (ou, como a maioria das pessoas fazer, manda o produto como “gift” para omitir que essa é uma transação que deve ser tributada). Não interessa se você emplacou o seu carro lá na casa da sua tia para pagar menos IPVA. Não interessa se você comprou um produto sem nota só para pagar mais barato. Não interessa se você trabalha como PJ em uma empresa, mas com vínculo empregatício.

Eu iria mais longe. O que você faz, como sonegador de impostos, não deve nada ao que os políticos fazem… quem está tirando dinheiro que deveria ser investido na saúde, na educação, nas rodovias, é você!

Assim como acontece com a pirataria, os argumentos para a sonegação fiscal são todos frágeis (e repetitivos)..

  • “Ah, mas não dá para competir com os concorrentes sem sonegar impostos!”- Isso é tão injusto quanto um time da 3a divisão jogar contra um da divisão principal no futebol em uma Copa Inter-categorias: ..você pode optar por participar ou não, mas não pode justificar o “roubo” para aumentar a sua competitividade. Isso seria como você justificar o suborno do juíz.
  • “O governo já arrecada dinheiro demais!” – Os países de primeiro mundo arrecadam dinheiro demais, nós não. E isso é como dizer “Pode roubar o carro daquele cara. Ele já tem dinheiro demais!”.. você nunca pode justificar um crime na condição social de algo, ainda que seja uma nação inteira.
  • “Eles vão roubar o dinheiro mesmo!” – Possivelmente vão, e escândalos não são poucos em nosso governo (não só no nosso). Entrar em uma guerra de “quem rouba mais” com o governo, além de combater o sintoma (e não a doença, que é a corrupção), ainda quebra para o elo mais fraco, que são as áreas que deveriam receber os investimentos do governo. Os políticos “ganham”, você “ganha”, e a nação perde.

De qualquer forma, já existe a maneira correta de combater a injustiça. No Brasil nós a chamamos de democracia. É o seu direito de escolher um representante que defenderá seus interesses. Todos os políticos que estão “roubando” foram elegidos por nós. O canal para colocá-los lá (e tirá-los de lá) já existe. Basta usá-lo.

Mas nada disso te “dá” o direito de cometer um crime. Senão, você se rebaixa ao mesmo nível dos políticos corruptos.

São os cidadãos corruptos.

Líder Servidor – O Monge e o Executivo

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Vocês sabem qual o nome do livro “O Monge e o Executivo” em inglês?

The Servant

Há, na teoria, um bom motivo para isso. Vocês acham que um livro traduzido como “O Servente” chamaria a atenção daqueles que querem compreender “a essência da liderança”? A maioria das pessoas associa “servente” com o faxineiro do escritório.

O outro motivo é que se o livro se chamasse “O servidor”, alguém poderia pensar que se trata de um livro sobre infra-estrutura em TI. 🙂

Mas é na tradução original, o “servente” que se encontra a essência do livro. Existem diversos casos, para a nossa tristesa, de associação dos termos “liderança” e “tirania”, “vaidade”, “egoísmo”. E aí pode parecer, de uma certa forma, até “natural” essa associação.

Na verdade, liderança está mesmo relacionado com “servidão”, “humildade” e “altruísmo”. A verdadeira liderança, exercida através da autoridade, e não do poder.

O autor do livro faz um excelente trabalho em distinguir os dois:

Autoridade é a sua capacidade de influenciar as pessoas a fazerem aquilo que você deseja pelo que você é.

Poder é a sua capacidade de influenciar as pessoas a fazerem aquilo que você deseja pelo que você tem.

Quando você pede algo à alguém e essa pessoa lhe serve, por que ela faz isso? Pelo que você é (uma pessoa com quem ela pode contar) ou pelo que você tem (um cargo acima do dela)?

A essência da liderança está em conseguir mais autoridade, e não mais poder. E para conseguir mais autoridade, é preciso aprender à servir.

Uma lição tão simples de explicar, tão simples de entender, e tão difícil de aplicar. É por isso que o livro é um best-seller, mas as lideranças não refletiram nem uma mínima parte dessa influência.

Talvez nós devêssemos mesmo aprender mais com o faxineiro do escritório. Isso sim.