Separando diversão, estudo e trabalho

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A separação de diversão, estudo e trabalho tem se tornado um tema cada vez mais recorrente recenemente. Eu já refleti muito sobre esse tema e tenho muito para falar à respeito, e acho que aqui é o melhor lugar para isso.

Prepare-se para um artigo longo, e leia-o com tempo.

Dividindo a vida em três partes

A minha teoria é a da divisão da vida em três partes. Mais do que isso, a divisão da vida em três partes iguais: diversão, estudo e trabalho. Na verdade, a teoria não é minha, mas eu a desenvolvi a partir do que li de diversos autores, e essa é a forma como eu procuro guiar a minha própria vida:

  • Trabalho – Tudo aquilo que você realiza que gera resultados externos. Normalmente, esse é o nosso “emprego”, onde exercemos nossa profissão: Criamos ou executamos algo em troca de dinheiro. Trabalho feito por caridade, trabalho em projetos open source e projetos pessoais, ajudar na pintura da parede da casa, também são trabalhos.
  • Estudo – Eu categorizo como estudo tudo aquilo que gera resultados internos. Resultados internos para mim são aqueles que geram resultados intrínsecos à nós, e que normalmente melhoram de alguma forma nossos trabalhos no futuro. Englobam tanto a leitura de um livro, como a prática de uma música no piano, a realização de alguns testes com uma linguagem de programação nova, ou aquela corrida na esteira ou no parque.
  • Diversão – Aquilo que queremos fazer quando não estamos preocupados nem com os resultados externos, nem com os resultados internos. Por exemplo, quando estamos jogando video game, brincando no quintal, ou batendo papo em um bar com os amigos.
  • Inútil – Esse é um tempo que não gera resultados externos ou internos, mas que também não é algo que queremos fazer. Normalmente é algo que temos que fazer simplemente porque são manutenções necessárias, mas não é algo que gera um resultado desejado explicitamente, nem é algo que gostaríamos de estar fazendo se tivéssemos escolha. Entram nessas atividades coisas como escovar os dentes, ir para o trabalho e dormir.

É claro que nas descrições acima eu previlegiei mais a clareza e o pragmatismo da explicação do que o rigor técnico. Você não precisa argumentar coisas como “Mas você poderia argumentar que dormir é um estudo pois ele gera resultados internos” e eu não teria como discordar de você, à não ser pelo fato de que, na prática, não há nenhum uso para agrupar as duas atividades na mesma categoria, e a teoria para se justificar isso tornaria maior um artigo já grande.

Portanto, minha visão é que a vida é dividida nesses quatro aspectos. Eu os chamos de fases. A minha teoria é:

Devemos diminuir a fase inútil de nossas vidas ao máximo possível. Depois, devemos dividir o restante em 3 partes, 1 parte para cada uma das outras fases.

Parece rigoroso, e é mesmo. Deixe-me explicar cada uma das duas partes:

  • Diminuir o tempo inútil ao máximo possível significa alocar a maior quantidade do seu tempo às outras fases da vida. Isso não significa dormir 4 horas por dia (embora algumas pessoas façam isso ainda que não tenham nenhum equilíbrio de vida). Alguns aspectos inúteis da vida não podem (ou não devem) ser diminuídos: dormir, escovar os dentes, almoçar e jantar. Já outros aspectos possuem muito potencial para serem diminuídos, como aquelas 2 horas por dia que você passa no trânsito para ir e voltar do trabalho.
  • Dividir cada uma das outras fases em 1/3 to tempo total. Isso significa que, para mim, a visão de equilíbrio é dividir exatamente por igual as fases Estudo, Diversão e Trabalho. Não é uma divisão de 1/2 par Diversão, 1/4 para Estudo e Trabalho (o que a maior parte das pessoas prega), nem 1/2 para Trabalho, 1/2 para Diversão e 0 para Estudo (o que a maior parte das pessoas faz)

Minha abordagem é usar essa teoria para separar e acompanhar o meu tempo gasto na semana. Semana porque dá tempo suficiente de realizar todas as tarefas que precisam ser feitas, e porque dá para quebrar o tempo em partes iguais e recorrentes. Afinal, todas as semanas possuem 168 horas.

Iniciamos, portanto, reduzindo da minha semana o tempo inútil. No meu caso as contas são as seguintes:

  • 8 horas por dia dormindo x 7 dias na semana = 56 horas
  • 30 minutos escovando os dentes por dia * 7 dias = 3,5 horas
  • 30 minutos de café da manhão por dia * 7 dias = 3,5 horas
  • 1 almoço por dia * 7 dias = 7 horas
  • 30 minutos de jantar por dia * 7 dias = 3,5 horas
  • 30 minutos para acordar e ir dormir por dia * 7 dias  = 3,5 horas

Essa, é claro, é a média, e existem exceções em todos os casos. Em alguns fins de semana, o almoço é na verdade diversão (um churrasco com os amigos). Outros dias, dormimos um pouco mais ou um pouco menos. Mas na média, em uma semana típica, essa é a minha divisão. Lembrando que, por trabalhar em casa, eu não gasto tempo no trânsito.

No total, isso siginifica que eu gasto, em média, 77 horas por semana de forma inútil: Sem me divertir, sem realizar nenhum trabalho e sem me aprimorar em nenhum aspecto.

Arredondando o número anterior para 78 horas, temos 90 horas restantes as quais devem ser divididas em 1/3 para cada aspecto da vida. Isso significa:

  • 30 horas de trabalho, ou 6 horas por dia em uma semana de 5 dias úteis.
  • 30 horas de estudo, o que significa 2 horas por dia da semana  e 10 horas por dia do fim de semana
  • 30 horas de diversão, o que significa mais ou menos a mesma proporção acima.

O primeiro impacto da divisão acima para a maioria das pessoas é: “É impossível trabalhar 6 horas por dia”. É claro que nem todos vão concordar com você, já que em países como a França a jornada de trabalho é de 6 horas, e o Tim Ferris acredita que você pode ter uma ótima vida trabalhando apenas 4 horas por semana em vez de 30h. Eu particularmente trabalho normalmente 7 horas por dia, ou seja, 35h por semana.

O segundo impacto é pensar: “É impossível passar 10 horas por dia do fim de semana estudando!”. Essa afirmação, no entanto, é muito mais difícil de justificar. Afinal, a maior parte das pessoas tem dificuldades reais em negociar sua jornada de trabalho, não podendo reduzí-la ainda que reduzindo proporcionalmente sua remuneração. No entanto, a maior parte das pessoas pode usufruir do final de semana como desejarem.

Essas duas afirmações mostram, de antemão, a falta de equilíbrio na vida da maior parte das pessoas. E isso foi evidenciado pela minha própria falta de equilíbrio no passado:

Quando eu iniciei minhas reflexões sobre esse conceito de equilíbrio, resolvi acompanhar detalhadamente quanto tempo eu gastava em cada uma das fases da vida. Eu fiz esse acompanahamento detalhadamente durante 3 semanas: Acordei às 8:00, cheguei no trabalho às 8:45, saí para almoçar 13:00, voltei para o trabalho 14:30, saí do trabalho às 18:30, cheguei em casa às 18:45, etc..

Antes do acompanhamento detalhado de como eu gastava o tempo, a minha percepção era a de que eu trabalhava demais e não tinha tempo para me divertir!! Mas depois que eu tinhas os dados reais, minha constatação me surpreendeu: eu tinha sim tempo para me divertir. O que eu não tinha era tempo para me aprimorar!

Ficava claro que, embora eu trabalhasse tempo demais durante à semana, eu tinha bastante tempo para me divertir no final dos dias da semana e nos fins de semana: de 45 à 50 horas por semana. O que eu não tinha tempo era para me aprimorar: Nem na minha profissão, nem fisicamente, nem intelectualmente.

Algumas pessoas devem acreditar que essa renegação do tempo de estudo não é por acaso, e sim algo natural. Mas existe algo naturalmente impeditivo em não se gastar tempo com os estudos.

A origem da excelência

Recentemente o tema da excelência parece ter ganho evidência instantânea, provavelmente por conta do livro “Outliers“, do Malcolm Gladwell. No entanto, embora esse livro seja ótimo, existe um outro que eu prefiro e que delineia melhor o mesmo assuto.

Esse outro livro se chama “Talent is Overrated“, do autor Geoff Colvin, editor senior da Fortune. Ele é uma versão mais resumida e amigável para nós, não pesquisadores, de um outro livro, que delineia detalhadamente todos os estudos e pesquisas  feitas no campo da excelência: O livro “The Cambridge handbook of expertise and expert performance“, coautorado por diversos pesquisadores, em especial um pesquisador chamado Anders Ericsson.

Como vocês já devem saber se vocês leram algum dos livros acima ou seus artigos derivados, a melhoria da performance está predominantemente atrelada à apenas um aspecto: O tempo de “deliberate practice”, que eu vou traduzir como “prática deliberada.”

É esse tipo de prática deliberada que temos quando associamos o treinamento ao aprimoramento de aspectos particulares que precisam ser melhorados, em vez de treinamentos amplos e genéricos, e um treinamento com feedback constante e consistente sobre nossa melhoria. É aquele treinamento que nos incomoda, é chato e doloroso, e o qual evitamos sempre que podemos (nem sempre, mas na maior parte das vezes). As evidências nos estudos de Ericsson mostram que, em média, aqueles que são considerados os melhores do mundo em seus respectivos campos acumularam uma média de 10.000 horas de prática deliberada! Algumas vezes, alguns deles possuem 20.000 horas!!

Meu artigo, no entanto, não é direcionado para pessoas que querem se tornar os melhores do mundo do mundo em um campo, já que para atingir 10.000 horas de prática deliberada é necessário cerca de 6 anos e meio treinando 30 horas por semana. E esse é o treinamento que é tão dolorido que não aguentamos mais do que 2 horas por dia. Nesse limite, levaríamos cerca de 20 anos!

Nem todos nós temos a pretensão de ser um atleta de nível olímpico, ou um CEO de uma grande corporação. Mas é preciso ter em mente que o que diferencia um do outro, fundamentalmente, é a sua capacidade de realizar as tarefas em seu campo. E que, salvo as devidas particularidades, essa capacidade está diretamente relacionada à quantidade de prática deliberada que você realizou.

Portanto, ainda que não seja o fator que nos vai elevar ao posto de melhores do mundo, a prática deliberada é aquela que irá diferenciar a sua performance em todos os campos da sua vida, e invariavelmente irá colocá-lo em uma determinada posição com relação à performance de todo o restante da população.

O mito de que a vida não deve ser dividida em fases

Em diversos artigos, como o da edição de janeiro/2009 da revista vida simples ou no artigo “sua vida não é uma caixa de bentoo” eles defendem que a vida não pode ser dividida em pequenas partes, e que basicamente essa separação de vida pessoal e trabalho (alguns não mencionam um tempo para o estudo!) é uma baboseira à qual você não deve dar atenção. Supostamente é algo criado na época do fordismo, mais bem ilustrado pela citação de Ford sobre as pessoas que se diziam infelizes no trabalho: “Você não está aqui para ficar feliz. Está aqui para trabalhar. Você pode se preocupar em ficar feliz quando estiver em casa”.

Exageros à parte, a idéia é que você não pode deixar os problemas do trabalho no escritório quando chega em casa, e nem deixar os problemas de casa quando vai trabalhar. Você deve, de alguma forma, conseguir lidar com todas essas as coisas ao mesmo tempo.

Acontece que, na minha visão, essas pessoas estão confundindo uma pequena mistura na divisória com uma mistura de todo o conteúdo. Quando você tem que pagar contas pessoais no trabalho, ou responder um telefonema do trabalho no fim de semana, ou não consegue dormir com preocupação sobre a reunião do dia seguinte, essas são pequenas exceções, as fronteiras: É como se um pouco de gohan tivesse caído sobre o seu sashimi.  Daí a afirmar que a vida é toda uma mistura é como afirmar que os países são todos iguais! As fronteiras afinal mostram que há essa sobreposição, assim como todos esses imigrantes!

No fundo, todo esse problema reside sobre um aspecto fundamental da separação de fases: A de que o aproveitamento de cada tarefa é analógico, e não digital.

Na ciência da computação, dentro da disciplina de inteligência artificial, existe um conceito chamado “lógica fuzzy“. Para simplificar o ponto apenas para explicar o nosso argumento, na lógica booleana convencional da ciência da computação temos apenas dois estados: verdadeiro e falso. Assim, utilizando lógica booleana, classificaríamos nossas atividades assim:

  • Meu emprego –  Trabalho: verdadeiro, Estudo: verdadeiro, Diversão: falso
  • Jogar futebol – Trabalho: falso, Estudo: verdadeiro, Diversão: verdadeiro
  • Video game – Trabalho: falso, Estudo: falso, Diversão: verdadeiro

Em um mundo assim, é fácil assumir que a vida tem, na verdade, tudo verdadeiro, e que meu objetivo deveria ser encontrar uma forma de ganhar dinheiro jogando futebol.

Na lógica fuzzy, of valores no entanto são analógicos, e ao mesmo tempo graduais:

  • Meu emprego – Trabalho: 70%, Estudo: 10%, Diversão: 10%
  • Jogar futebol – Trabalho : 0%, Estudo: 10%, Diversão: 60%
  • Video game – Trabalho: 0%, Estudo: 5%, Diversão: 80%

É claro que podemos encontrar maneiras de maximizar as expressões, mas quanto mais nós as detalhamos, mais percebemos as carências em cada uma delas. Não é à toa que jogadores de futebol, assim como outros esportistas profissionais, passam mais tempo treinando (estudo) do que jogando (trabalho). Se jogar também melhorasse o jogo deles com a mesma eficiência, eles passariam o dia inteiro no centro de treinamento jogando partidas amistosas.

Mas não há nenhum preparador físico treinando jogadores apenas com partidas amistosas, há? Pois é.

Trabalhando de casa

Hoje, lendo algumas notícias enquanto voltava do almoço (sim, eu normalmente leio notícias do Hacker News quando estou voltando para casa do almoço) eu me deparei com um artigo alarmante (para mim): “Working from Home -Why it sucks.

O artigo procura demonstrar como, para o autor, trabalhar de casa é horrível comparado com trabalhar de um escritório de verdade. Embora ele aponte diversos motivos não relacionados, como a solidão de se trabalhar de casa, ele também procura, assim como algumas pessoas nos comentários, mostrar como a não separação é de trabalho e casa é prejudicial.

Isso também vem daquela premissa de que a vida é uma grande mistura de todas as áreas. No entanto, de que, de alguma forma, trabalhar no escritório o ajuda a realizar essa separação. Enquanto que na seção passada vimos que algumas pessoas acreditam que essa separação não é possível nem se estivermos trabalhando no escritório.

Como eu trabalho de casa, embora há pouco tempo, me sinto na autoridade de dar a minha opinião. E a verdade é que a separação não só é possível, como também não é apenas relacionada com a separação física. Assumir que a separação precisa ser física é como afirmar que uma pessoa não pode tomar um café no starbucks se ela está acostumada a levar o notebook para trabalhar lá.

No entanto, é preciso que essa separação exista em diversas premissas: Assim como você não pode sair para fazer lavar a louça quando está no trabalho, é melhor que não lave a louça enquanto estiver trabalhando de casa. Assim como você não irá reconfigurar o servidor às 10h da noite se estivesse em casa depois de um longo dia no escritório, não vai fazer isso só porque está online enquanto está surfando na internet em casa e seu chefe lhe pediu.

Mais uma vez, assumir que essa mistura seja toda uma coisa só é um absurdo. Imaginar que você pode trabalhar 100% e se divertir 100% do tempo só vai lhe garantir 20% de produtividade e 20% de descanso durante todo esse tempo..

É muito importante que, quando você esteja trabalhando, se preocupe em trabalhar. Quando estiver estudando, se preocupe em se aprimorar. E quando você estiver jogando video game, se preocupe em chutar a bunda daqueles inimigos malditos!

Essa separação é fundamental para que o aproveitamento de cada uma das atividades seja o maior possível, e isso não está relacionado com não trabalhar no sábado ou não ir no cinema na terça feira à tarde. Está relacionado com foco. A palavra em inglês que eu uso, na verdade, não é “focus”, e sim “mindfulness”.

O mito das multi-tarefas

A primeira vez em que eu abri realmente os olhos para os problemas das multi-tarefas foi no artigo “Multitasking makes us stupid?” do excelente (e finado) blog Creating Passionate Users. A tese do artigo é a de que “não podemos realizar diversas atividades ao mesmo tempo sem detrimento da qualidade das atividades”. É claro que ninguém discorda disso. A pergunta é: “A perda de qualidade compensa a realização de mútiplas tarefas simultâneas?” Se a perda de qualidade compensar a execução de múltiplas tarefas simultâneas, então após 1 hora executando ambas as atividades simultâneamente, teremos um resultado maior em ambas as atividades do se que tivéssemos dedicado apenas 30 minutos para cada uma das atividades separadamente.

A autora do artigo cita diversos exemplos: O real detrimento de falar ao telefone enquanto respondemos à um email ou de fazer a lição de casa enquanto assistimos tv. No artigo, há links para diversos estudos que mostram o real detrimento da qualidade das atividades, assim como o esforço que gastamos ao tentar manter tarefas em paralelo e alternar entre elas.

Depois de ler esses e outros artigos, e de assistir ao desempenho de diversos profissionais que são os melhores do mundo em suas áreas, estou convencido: Qualquer atividade não trivial exige exclusividade da sua atenção para ter a performance ótima.

É necessário entender esse ponto para poder aceitar que é mais fácil encontrar uma atividade que seja Estudo=100% e Trabalho/Diversão=0% do que uma atividade que seja Estudo/Trabalho/Diversão=33%. A percepção de que uma atividade é 33% em todas as áreas provavelmente está distorcida, como acontece com a maior parte das pessoas que executa as tarefas em paralelo: Elas acreditam que estão executando suas atividades de forma muito melhor do que realmente estão. Elas superestimam enormemente sua própria capacidade de carregar tarefas em paralelo.

É por isso que é tão importante que as separações entre cada aspecto da vida sejam bem delineadas e distintas. No final de uma semana, 168 horas depois, os resultados das suas atividades, seja o quanto você se divertiu, o quanto você produziu, ou o quanto você aprendeu, será muito maior se você tiver feito uma separação clara de cada uma delas, e não o contrário.

Sobre ser o melhor do mundo

Por fim, algumas pessoas pensam: “Ah, isso é muita paranóia. Eu não quero acompanhar no relógio quanto tempo me divirto. Nem quero ser um campeão olímpico”. Para mim, esse pensamento, assim como os outros pensamentos dessa mesma linha, não passam de justificativas para a mediocridade. E essas justificativas só permanecem, é claro, enquanto não precisamos explicitamente delas.

Com o perdão do paralelo, vocês já assistiram “Supernanny” ? É um programa de televisão em que uma especialista em comportamento infantil ajuda pais a educarem seus filhos. Na verdade, se você já asssitiu alguns desses programas vai reconhecer que, o que a Supernanny faz na verdade, é educar os pais das crianças. A maior parte deles acha que as teorias da nanny são paranóicas e exageradas, e deixam os filhos decidirem fazer o que quiserem quando quiserem, e esperam as crianças crescerem e as coisas melhorarem naturalmente.

É claro que as coisas não melhoram: Pais ficam ser dormir em suas prórpias camas por 10 anos, e crianças de 7 anos continuam mamando no seio da mãe. Quando a nanny interfere na educação da criança, a primeira coisa que ela cria para as crianças é o quê? A rotina: um horário para brincar, um horário para estudar, um horário para comer, um horário para dormir. Nada de atividades misturadas.

O resultado é às vezes estarrecedor. Crianças que pareciam “incuráveis” se tornam verdadeiros anjos. E não são anjos entediados. Elas brincam no parque como nunca brincaram no passado. Passam a dar sorrisos e gargalhadas em vez de gritos e choros.

Só que nem todos nós tivemos uma Supernanny na infância. E a maior parte de nós, quando crescemos, agimos exatamente como essas crianças: quando não temos horários impostos à nós (como no emprego), nos comportamos de qualquer jeito, fazendo qualquer coisa à qualquer horário. Quando nossos pais não nos educam mais, no ponto de vista da educação, nos tornamos nossos próprios pais. E pais tão bonzinhos quanto aqueles que chamam pela Supernanny.

Portanto, a paranóia não é injustificada, e nem é algo que você deve fazer para ser um medalhista olímpico ou um campeão mundial. A qualidade da educação do seu filho depende disso. A qualidade do seu relacionamento amoroso, ou com sua família, depende disso. A quantidade de diversão que você consegue no final de semana, ou no final de um dia, também depende disso.

Portanto, não é necessariamente questão de querer ser o melhor do mundo no seu campo. É questão de poder aproveitar ao máximo cada uma de nossas atividades, ainda que com a limitada dedicação que possamos ter à elas. Podemos não ser experts em criação de crianças como a Supernanny, mas se contarmos com o estudo=verdadeiro, trabalho=verdadeiro de aprendermos na prática conforme criamos nossos filhos, corremos o risco de educá-los como alguns dos pais que vemos no programa. Enquanto que se estivermos realmente preparados, podemos nos concentrar em aprender no momento de aprender, e de aplicar o trabalho no momento de aplicá-lo.

Como diz o ditado japonês: “Chore no dojo. Ria no campo de batalha.”

E, se eu pudesse sumarizar o espírito desse artigo na frase acima, seria: “E beba saquê. Mas nunca no dojo, ou no campo de batalha”.

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4 comments so far

  1. Bjornn Borg on

    Excelente tópico.

    Você ainda está fazendo o acompanhamento de como gasta o seu tempo? Me lembro do estágio inicial que você cita no artigo.

    Eu também acho que a criação da rotina é fundamental para que as coisas fluam bem, e é importante que cada um defina a sua e a siga.

    Percebo, realmente, que faço um enorme esforço para fazer várias coisas em paralelo e realmente não gosto. Gosto de ter uma tarefa/objetivo claro a ser realizado e ir até o fim.

    Quando preciso alterar entre as tarefas vejo que cometo alguns erros por esquecimento ou por confundir as atividades.

    E por falar em atividade, escrever este post foi estudo, trabalho ou diversão?

    Hehehe.

  2. mtoledo on

    Trabalho, heh. 🙂

    Obrigado pelo elogio.

    Quanto à não gostar de realizar as tarefas em paralelo, seria bom o suficiente se não gostássemos mas ela fosse mais eficiente. Mas parece que é ruim e ineficiente (para tarefas não triviais). Então deveria ser fácil de evitá-las. 🙂

  3. bsideias on

    Excelente post.
    E para aqueles que gostam de se divertir no trabalho, deveriam arrumar um emprego em empresas que prezam a qualidade do trabalho de seus funcionários. Algumas utilizam do ócio criativo que como constatado aumenta a produtividade, qualidade e criatividade dos funcionários.
    Vou fazer uma referência para este no meu blog! 🙂
    att

  4. Natália on

    Parabéns!

    Esse post é muito inspirador.Seu blog é excelente. É admirável seu propósito de compartilhar reflexões sobre crescimento pessoal.


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